Melancolia
Silêncio perturbador na coxia
Tic Tac Tic Tac
Tic Tac Tic Tac
Abre a cortina
Chega a hora…
Declamei com estupidez
Minha melancolia
A verdade
A agonia.
Ouvi palmas de entusiasmo
Eram melancólicos na platéia.
Representei meu próprio eu
Recebi palmas
Elogios sarcásticos
Dinheiro e fama.
Os minutos passaram
A cortina fechou-se derradeira.
Voltei para minha casa de dois cômodos
Aguardei melancolicamente as notícias
Confirmando se lá retornaria.
Para confortar meus semelhantes.
E cá estou.
É chegado o momento
Tic Tac Tic Tac
Silêncio perturbador na coxia...
Silmara Bueno da Silva Antonelli - silmaraantoneli@yahoo.com.br
2007-09-24
Melancolia (Silmara Bueno da Silva Antonelli)
Beleza é fundamental (Silmara Bueno da Silva Antonelli)
Beleza é fundamental
Esverdeada com bobes na cabeça
Pómulos afundados e nariz abrilhantado
Bruxinha mesquinha
Vara seca
Pensa ser absoluta
Pensa ser literária
Pensam que é condizente
Ah se soubesse!
Se soubessem...
É tão pouco
É quase nada
É pereba
Entenda benzinho
Jamais será como eu
Sei que sabe benzinho
Nem mesmo nas próximas vidas
Jamais será bela
Sim, sei benzinho.
É morta-viva e afinal
Beleza é fundamental.
Silmara - silmaraantoneli@yahoo.com.br
Antolhos (Paschoal Ignácio)
Antolhos
O menino vê o mundo,
Mas o mundo não vê o menino
O menino fala com o mundo,
Mas o mundo é surdo, menino!
O menino pede ao mundo,
Mas o mundo não dá ao menino.
O menino cresce...
O mundo ele não vê,
Com o mundo ele não fala,
Ao mundo ele não pede,
Do mundo ele rouba,
No mundo ele mata
E o mundo vê o homem.
Paschoal Ignácio
Humanóide (Paschoal Ignácio)
Humanóide
Erro,
Érro,
Conserto,apago,
Faço,refaço,
Deleto,
Borracha,
Desculpas,
Perdãouu,erreiii!
Erro,
Érro...
Paschoal Ignácio
Brasília (Paschoal Ignácio)
BRASÍLIA
No plano alto, mais alto
Mais alta escala do poder,
Mais alta renda,
Mais alta arquitetura moderna,
Mais alto padrão,
Mais alto índice,
Mais alta indignação,
Mais alto sonho...
Do alto,
Bem do alto,do alto do avião,
Criador contempla a criação,
Brasília,
De planos outros,
Do plano piloto,
Da gente pilotando o avião.
Paschoal Ignácio
O enterro da Escola (Ivone Boechat)
O enterro da Escola
É muito interessante lembrar a história antiga de uma Escola que estava prestes a ir à falência, e os pais, professores e alunos se reuniam nas esquinas, nos bares, nas praças, em qualquer lugar, para apontarem os culpados. Cada qual gritava mais alto que o culpado só podia ser o “fulano”. Conversa vai, conversa vem e a situação só piorava. O tempo passava e nada de solução. A Escola estava nas últimas.
O diretor resolveu marcar o dia do enterro da instituição. Todos se assustaram, porém, ficaram curiosos para ver a cara do defunto. No dia e hora marcados, lá estava a comunidade em peso para a solenidade do velório. No meio de um grande auditório, colocaram um enorme caixão preto aberto e o diretor organizou a fila dos presentes para o último adeus ao finado.
Silêncio! Muitas flores e muita expectativa. À medida que foi dada a ordem para olharem dentro do caixão, a decepção foi geral. O corpo do defunto estava coberto de flores, mas no lugar do rosto, havia simplesmente um espelho. Cada um que se mirava no espelho tomava um susto e saía pensativo.
A idéia serviu de lição, porque, em pouquíssimo tempo, a Escola "ressuscitou" e ninguém nunca mais se esqueceu de que a responsabilidade pelo sucesso de uma instituição pertence a cada um.
Ivone Boechat
A arte de viver (Ivone Boechat)
A arte de viver
Viver é se aproximar e, ao mesmo tempo, livrar-se de si mesmo, das angústias e egoísmos.
Viver é um dom magnífico. É participar desta misteriosa e matemática sincronização do universo. É o mortal desfrutando de suas experiências materiais numa concessão espiritual. É o material transcendendo-se através de sua participação na história, nas marcas deixadas no caminho, no resplandecer de gerações que se sucedem.
Viver é mobilizar e envolver para afastar comportamentos que empobrecem a participação na vida. É buscar valores e refazer idéias que desbotam a aventura de sobreviver, em meio aos disparates humanos na conquista do impossível.
Viver é proporcionar vida. É reabastecer-se no manancial da fé com todas as possibilidades de cada dia. É investir minutos e minutos, colorindo de esperança as horas. É aprender com as manhãs a iluminar obstáculos, não se importando com a escuridão da noite. "Basta a cada dia o seu mal".
Viver lutando, incessantemente, para desarmar os veículos que levam à violência. Fazer do comportamento aquele elo que une as pessoas umas às outras para formar a grande corrente de otimismo. A força nascerá e há de acontecer o milagre para o qual o homem foi criado: viver no paraíso.
Viver com alegria e, na certeza de ser útil, como fiel mordomo do seu próprio corpo, oferecendo-o em holocausto para a felicidade daqueles que compõem este painel de realidades.
Viver é, sobretudo, preservar. É educar-se para viver em harmonia com o tempo e o espaço, coordenando fantasias e verdades para o equilíbrio e a razão.
Viver no firme propósito de melhorar todo dia: no grupo de amigos, na família, no trabalho. Dispostos a assumir o compromisso de colocar um mosaico na construção da paz, para viver experiências de melhores dias.
Ivone Boechat
Prece (Ivone Boechat)
PRECE
Sê como as flores que se levantam de madrugada para enfeitar e alimentar a vida.
Sê como as estrelas que se revezam no Universo, bordando de luz o avesso do céu.
Sê como as andorinhas que se juntam na grandiosa caravana da paz.
Sê como o Sol, cumprindo plantão diário, iluminando e aquecendo a Terra.
Sê como os rios que brotam no mistério e cantam sobre as pedras que encontram no caminho.
Sê como o vento: impetuoso e terno. Abrindo portas, derrubando muros, abastecendo as ondas do mar, levando o perfume das flores.
Sê como a lágrima que se propõe a limpar a dor.
Sê como o sorriso da criança: ingênuo, espontâneo, puro.
Sê como as mãos que se estendem, antecipando-se ao pedido de perdão.
Sê como os pés do profeta, feridos na batalha de chegar primeiro com a bandeira da paz.
Sê como o amigo que nunca espera a perfeição do próximo.
Sê como a morte que surpreende a vida, arrebatando a alma à luz da eternidade.
Ivone Boechat
Natal (Ivone Boechat)
NATAL!
Nossos corpos enfeitam-se com a beleza da gratidão e as luzes da fé para compor o presépio de Natal na gruta da oração: Jesus Nasceu!
Há, por toda parte, notas musicais na pauta de cada gesto. A grandiosa orquestra do amor afina os acordes na harpa dos séculos. É Natal!
Na simbiose definitiva do perdão e da prece, lágrimas se derramam no cálice da esperança. Nós, ovelhas do campo de Belém, apascentamos a doce alegria da promessa cumprida.
A noiva celestial levanta sua grinalda de estrelas e contempla a eternidade no berço humildade da estrebaria. Em meio aos rumores do mistério, a vida se define e se justifica no calor dos braços de Maria, Mãe do Amor!
Natal de árvores brilhantes e rostos apagados na sobrevivência do abandono. Natal do encontro de pessoas desencontradas na distância. Natal da criança feliz, abrindo fitas na festa da ilusão de cada dia. Natal do menino que chora, que pede e se despede nas ruas da amargura. Natal dos manjares, da toalha de linho, das velas coloridas na anemia da vaidade. Natal de Jesus Cristo, diariamente, no calor do abraço amigo, da mão estendida, do olhar carinhoso, do teto e da porta aberta.
Natal da fé! Natal da Igreja de Cristo, pronta, forte, confiante, guerreira. Natal da caridade que se esforça e vai às favelas, distribui esperança, planta a justiça, semeia o Evangelho, acende a luz das Boas Novas. Natal de felicidade na certeza do olhar de cada rosto.
Natal sempre, de janeiro a dezembro, sem dia pré-estabelecido no coração dos homens de má vontade. Natal no propósito, no desejo de servir ao próximo aflito, distante na frieza do egoísmo. Natal do perdão, sem barreiras, sem bandeiras, protocolos, normas, constituições. Natal de ações.
Natal de agora, na ternura, no altar, suplicando, de joelhos, que Cristo continue iluminando corações, multiplicando a capacidade de amar, de servir, de ir, ou de ficar de olhos fixos na Sua palavra, na Sua promessa de arrebatamento no juízo final.
Feliz Natal!
Ivone Boechat
Feliz Natal ! (Ivone Boechat)
FELIZ NATAL !
Nesse Natal, se você tem um vizinho pobre, mas muito pobre mesmo, não vá atravessar a cerca do individualismo que os separou até agora nem correr o risco de se atropelar nos espinhos do egoísmo, não! Do lado de cá mesmo, ofereça-lhe algum momento de ternura, ajudando-o a amenizar as carências do seu Ano Velho. Dê-lhe pão e, se você esquecer-se de dizer-lhe Feliz Natal, ele não vai notar, porque a felicidade da mesa farta o fará lembrar-se de Jesus Cristo.
Nesse Natal, se você não teve tempo de mandar um cartão de Boas Festas para seus pais velhinhos, não faz mal. Ajoelhe-se, peça perdão a Deus pela péssima conduta de filho e proponha uma ajuda efetiva, de mais conforto, mais atenção e mais presença, junto de sua família.
Nesse Natal, se ainda se lembra de alguém sozinho que um dia você abandonou: seu filho, seu irmão, seu amigo, seu namorado, não chore de arrependimento, somente. Vá a pé, de ônibus, de carro, de avião ou pegue o telefone e diga-lhe, com o maior carinho: Você é muito importante para mim. No ANO NOVO vou me renovar, estaremos sempre juntos, Feliz Natal!
Nesse Natal, se você entregar-se aos prazeres da carne e perder-se na embriaguês de vinhos, da mentira, de ilusões, não se desespere, Jesus Cristo não precisa de festas para você lembrar-se Dele. Levante a cabeça, aprenda a lição e tenha a capacidade de abrir os cadeados enferrujados do coração.
Nesse Natal, ilumine-se de compreensão, resplandeça de alegria, enfeite a vida de perdão. Acenda a lâmpada do seu melhor propósito, dê o braço amigo aos que o cercam e não tenha medo de sorrir. Afinal de contas, tudo na vida perece, você passa e outros natais virão, porém a estrada reta ou tortuosa vai em frente e nenhum momento repete-se exatamente igual: FELIZ NATAL!
Ivone Boechat



